17 de set de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - VI PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Criarei um mundo de mentiras e palavras floridas,
cantarei o amor em versos explêndidos,
tirarei lágrimas até mesmo de rochas,
e colherei louros nos campos elísios.

Expulsarei a tristeza de perto de mim, e esquecerei
que um dia te conheci, buscarei prazeres
onde quer que eu os ache, sorrirei, falsamente mas
sorrirei, e deixarei que anjos e demônios perturbem-se
com minha refulgência.
Venham anjos? Venham e vejam, como que num
simples estalar de dedos tudo se transforma,
acham vocês que ainda vos desejo? Agora é
chegada a minha vez de cantar e dançar
sobre os cacos da minha própria vida.
Serei sublime, superior, e nada mais temerei?
Olhem-me anjos, sou mais um, da tua espécie
que caiu, quebrou-se e se levantou sobre
mentiras e ilusões; mas se levantou.
Não quero mais recordar que desejei armas que
temia desejar, que odiei tanto o mundo a ponto
de armar-me de punhal. Terei a pena
como escrava, uma pena que de minhas asas
retirei, será ela minha passagem e o meu veículo
para esse reino fictício que criarei?
Onde estão os anjos agora? Ah sim, agora
os vejo, escondem-se incrédulos por entre
os rochedos que os demônios trouxeram do
inferno para protegerem-se da minha fúria.
Levantei-me, oh anjos e demônios!
Levantei-me contra uns e outros, e os demais
que vos acompanham, e infeliz será aquele
que ousar me deter!

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