30 de nov de 2010

24/08/2004 - MIRA!

Sois para mim um mero fantoche
que dança conforme desejas seu manipulador
és um mísero fracassado enganador,
que também enganado, resteja, tal qual um verme torpe!

Nasa acrescentas por onde quer que passes
és tão insignificante que nem aos cães alarmos
capenga, moribundo por inóspitas estradas
e somente a Morte vejo que a ti um dia se abrace

És o resultado dum Amor infecundo
resto do Medo e do òdio do Mundo
És o bastardo atirado aos Ventos

És carne, Sangue e Sofrimento
esquecido tu fostes no Mundo em que vivemos
esquecido partiras para o Mundo do esquecimento...
Cospe-me oh! boca virulenta,
contamina-me com sua mais vil maledicência,
e arrasta meu nome na lama que te acompanha,
assassino meu caráter com suas torpes palavras,
e atira-me ao fundo de um calabouço,
estraçalho meu ego como se fosse a um corpo
acusa-me, ofenda-me e castiga-me...

Cospe-me oh! boca maldita
derrama sobre mim toda sua ira
amaldiçoa aquele que outrora a dominava,
e fustiga a este que agora escravizas
Cospe-me oh! boca insana
com suas ácidas palavras, difama-me
corroa minha memória, apagas minhas lembranças
atira-me ao esquecimento e faça-me ressurgir como um louco;
arrasta-me infeliz para a morte deste corpo
e contemplas suas proezas ávidas por mais.

mastiga-me oh! boca infernal
engole-me a seco como se fosse um mísero farnel
sinta-me amargo, ocre como o féu
expele-me oh! boca insatisfeita
expele-me...

01/04/2004 - DOIS FRAGMENTOS NOTURNOS

Confesso que fui inútil
coisas que penso não valem
acordo às cinco e escarro,
mas sem meu vômito não me satisfaço

Paixão é dor, tesão ansiedade
amor é ódio, desejo libertinagem
se durmo bem, acordo mal,
se sonho com anjos, são os demônios
que me embalaram

28/01/2004 - ETERNO PRISIONEIRO

Ainda que ouvesse em mim
algum vestígio de amor, negar-me-ia
a vida, algo que eu ousasse amar...
transformaria meu amor em desejo doentio,
e privar-me-ia de pode-lo realizar!

Seria apenas mais um de seus fantoches,
dançando conforme sua vontade,
seria o bobo da corte, que alegraria suas noites,
e desprezado num canto qualquer
amargaria dia após dia...

Oh! Vida embusteira, acaso não haverás
outro, a quem possas privar alegrias?
Serei eu, seu eterno prisioneiro
ou haverás de me dar liberdade só no último momento?

Conceda-me ao menos uns míseros anos,
anos esses que caminharei sozinho,
Não seja agoista, nem vingativa,
dê-me apenas o que desejo,
e serei teu servo, pro resto da vida!
Por isso rogo-lhe: Oh! embusteira vida...

19/01/2004 - IGNORAS

Condena-se a Eternidade nesta terra miserável,
quem confunde-se com o ego, o corpo e a matéria volátil,
prende-se a sonhos nunca realizados,
e arrasta-se sedento, por um túnel vazio e escuro!

Rejeita a verdade, apoia-se em mentiras,
cospe no prato que come e na boca que o beija!
Enverga-se como réles capim a mais
suave brisa, e acha-se apto a
desafiar tempestades!

Engana-se e engana,
ilude-se e ilude
é imperfeito e não vê a imperfeição
É imortal, mas teme a imortalidade,
esse é o homem que diz-se perfeito
mas acaba-se na escuridão!

A MENTE

Deus acusa-me, prontamente
Nega-me, Deus, algo que me complemente
Ajuda-me, peço-Lhe verdadeiramente
Mas acabe-se inultimente

SÓ EU VIA TUDO NEGRO!!!

Bitucas no cinzeiro,
duas tampinhas de coca-cola
duas caixas de fósforos meio vazias
duas garrafas de cerveja
um copo...
e várias goiabas
Só eu via tudo negro!!!

Nada vinha-me a mente,
tristeza, solidão, ausência,
talvez a morte seja a essência
que numa noite ausente
sentia somente a falta de amor
o amor que se sente quando ama-se realmente
Mas, só eu via tudo negro...

18/05/2003 - A GUERRA E O GUETO

A guerra nos guetos proliferam-se
desde as recônditas guerras fatídicas,
arrastado-se por essa nossa guerra moderna.
Despresam-se agora os guetos poloneses
os guetos negros e porto-riquenhos
e ferroam com mais força agora
as favelas e guetos brasileiros...
amordaçado e vendado, surdo e acovardado
jaz a prole desesperada, vítima de
violência gratuita, transformando cidades
magníficas, em Bósnias e Eslovênias tupiniquins...
Cede o honesto, mata-se o justo,
Fere-se o progresso e a ordem tomba junto...
Regressa o homem do espaço.
conquista o homem o fim do mundo,
Ilumina a terra com urânio e chumbo
Mais acovarda-se perante o injusto
Toque de recolher que desce os morros
em forma de pó, em gritos mudos,
em ecos surdos sem nada pensar em fazer...

29/04/2003 - PEDIDOS DESESPERADOS

Correis, correis aves de rapina...
correis... pois asas já não as têm
e o vôo de fuga, fostes de vós rapinadas,
restam apenas suas pernas fragilizadas,
então correis, correis, pois de predador
presa tornastes, de matador nada vos restastes...

Chorais, chorais, órfãos das noites
Chorais... pois consolo já não os satisfaz
e os beijos amigos, fostes para vós cuspe fétido
restos e dejetos de uma vida abjeta
então chorais e espantai vossos fantasmas
pois nada mais vos feres, nem a cruz ou espada...

Dê-me, dê-me, sua alma conturbada,
Dê-me... pois a minha há muito está silenciada,
presa num quarto escuro, sem paredes, janelas ou porta

Sem encantos, formas, nem chão
a prisão a mim destinada, o cárcere
negro do meu coração...

Correis... correis...
Chorai... chorai...

08/04/2003 - CORVO I

O corvo, símbolo funesto do coroastrismo,
que do homem na morte devora o corpo
e carrega tu'alma para um abismo,
sobrevoa minha carcaça ainda viva,
que apodrece dia após dia vítima da infâmia
de pobres seres que semeam suas proles
neste vasto buraco, que chamamos universo

Ave agourenta, da Morte mensageira
Faz papel de Hermes, pois leva deliciosa
mensagem aos imundos e podres vermes
a promessa de macabra festa,
uma festança, tendo como convidado especial
os meus restos carnais,
que nada têm de mortais,
que hão de perder-se
na insignificância

12/11/2002 - SEM ESPERANÇAS

Sem esperanças avanço passo a passo,
rumo ao martírio no cadafalso,
riem-se de mim os gentios,
xingam-me, cospem-me, atiram-me seus lixos

Sou para eles apenas um espetáculo,
um marionetes que dançará pelos ares,
um balet macabro e temerários,
os últimos passos para a morte

Por dentro choro, mas não de medo
choro por saber que mais tarde ou mais cedo
muitos outros meus passos hão de refazer

Não rezo por suas almas, pois também eles
por mim não rezam, apenas desejo que sejam
mais afortunados, e que o carrasco ao invés dum
laço, neles usem um pesado machado...

10/04/2002

  
Ao terminar o poeta seu lamento
Fez-se no recinto um estranho silêncio
paralizadas em seus cantos,
alguns presentes sorriam, outros choravam,
mas nem uma palma se ouvia.
Parecia que um anjo lhes revelara suas vidas
e o medo de se ver retratado numa poesia
invadira suas almas, e os transportara
num passado que o tempo não lhos acenava

05/04/2002 - RETRATAÇÃO

Não tenho a pretensão de agradar
a ninguém com meus escritos
e possivelmente nem uma lágrima rolará
após muitos os terem lidos

Será para mim de extrema satisfação
se por acaso desperte um amargo sorriso
no seu íntimo adormecido
no seu Fechado coração...

Pois o que escrevo são meus sonhos
e não os chamo para sonhar comigo
escrevo por direito e dever

Por prazer traduzo meus sentimentos
satisfaz meu ego, meus pesares, meus lamentos,
não iludo-os com que penso
predisponho-me apenas a vos transmitir
uma parte de tudo que vejo

09/04/2002 - LIBERTAD

Zeus caricato que te arrogas o direito,
de dispor dos destinos alheios?
Sabendo-se que só anseia a Luz
aquele que contorce-se em trevas

Lança teus raios, majestoso Deus,
mas reservai a nós escravos seus,
o direito a seguir nossos destinos
sem se indispor com os desígnios celestes

Abre-te como abre-se o Céu para o Sol
e deixa-nos palmilhar nossos caminhos
deite-se sobre as nuvens que empapussam os Céus

Mas lembre-se, que nem todos somos normais
a uns é vedada a Luz, a outros cega-os seus raios
mas eu ignoro tua vontade, e faça-me cair
no livre arbítrio para ti arbitrário

01/03/2002 - COLEIRINHA

Ouço, agora ele canta disparado
mas é sempre o mesmo refrão
não sei se de tristeza ou alegria
de ódio ou amor, ou simplesmente para
afastar a solidão

Talvez seja porque neste mundo louco
onde homens loucos encarceram outros
seja esse pássaro um dos poucos
que pelo homem sente compaixão

23 de set de 2010

20/02/2002 - O MEDO!

Ainda hoje existem noites em que temo dormir,
temo o apagar das luzes, o fechar da porta,
um passo solitário que ouço das ruas,
o piar agourento das corujas
temo não sonhar e navegar na escuridão
dos pesadelos.
Ainda hoje a Mote causa-me tais devaneios.
Ainda hoje tendo a agir como uma criança
Durante o dia luto contra dragões e quimeras
e quando cai a noite temo na escuridão
e escondo-me sob as cobertas
Ainda hoje a noite me traz solidão...
Ainda hoje não posso chorar,
escondo lágrimas como um avarento
esconde seu dinheiro, sufoco soluços
no meu travesseiro e temo um dia conseguir.
Ainda hoje pensei em amar
mais um gosto amargo subiu-me até a boca...

20 de set de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - VII PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Serão minhas palavras ríspidas, afiadas como
navalha. Não darei trégua aos mortos, e
muito menos aos vivos. Beberei à morte
de cada inimigo, demoníaco ou divino, e
cuspirei ácido em forma de versos sobre
seus corpos etéreos semi-ofuscados com o meu
brilho. Dançarei com prazer ao vê-los
caírem sobre e sob esta terra corruptível,
assim como eles o fizeram quando caí.
Vejam agora, anjos, arcanjos e demônios,
vejam como libertei-me de suas parcas
influências, não mais rastejo sob a maledicência
incorporando o verme que sempre incorporei!
Bebo à sua saúde e morte, meus velhos amigos,
e até mesmo a Morte, esta caçadora incansável,
repousará o seu pesado braço, e novamente brindará comigo.
Agora serei eu e ela perseguindo, serei eu
que a buscarei, pois sempre a considerei o ser mais amável e
divino que já houve em toda a criação!
É ela a única que nos é sincera, que sorri
quando nossas cabeças dilacera e chora
por não ser nossa hora de partir!
Digam-me, não é esse ser realmente o único anjo
que o merece ser?

17 de set de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - VI PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Criarei um mundo de mentiras e palavras floridas,
cantarei o amor em versos explêndidos,
tirarei lágrimas até mesmo de rochas,
e colherei louros nos campos elísios.

Expulsarei a tristeza de perto de mim, e esquecerei
que um dia te conheci, buscarei prazeres
onde quer que eu os ache, sorrirei, falsamente mas
sorrirei, e deixarei que anjos e demônios perturbem-se
com minha refulgência.
Venham anjos? Venham e vejam, como que num
simples estalar de dedos tudo se transforma,
acham vocês que ainda vos desejo? Agora é
chegada a minha vez de cantar e dançar
sobre os cacos da minha própria vida.
Serei sublime, superior, e nada mais temerei?
Olhem-me anjos, sou mais um, da tua espécie
que caiu, quebrou-se e se levantou sobre
mentiras e ilusões; mas se levantou.
Não quero mais recordar que desejei armas que
temia desejar, que odiei tanto o mundo a ponto
de armar-me de punhal. Terei a pena
como escrava, uma pena que de minhas asas
retirei, será ela minha passagem e o meu veículo
para esse reino fictício que criarei?
Onde estão os anjos agora? Ah sim, agora
os vejo, escondem-se incrédulos por entre
os rochedos que os demônios trouxeram do
inferno para protegerem-se da minha fúria.
Levantei-me, oh anjos e demônios!
Levantei-me contra uns e outros, e os demais
que vos acompanham, e infeliz será aquele
que ousar me deter!

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - V PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Nega-me, eu sei...
E tudo que pôde me oferecer foi um companheiro,
mais um eu para carregar mundo afora
um sonhador me destes, um poeta me tornou,
que me adianta rabiscar belas palavras
sobre o branco de um papel, ou mesmo
chorar nele todas minha mágoas
meus anseios? É inutil o peso da pena,
o cheiro da tinta, o branco do papel.
Acaso reduzi meus sofrimentos?
Possuí, possuirei, ou possuo meu destino?
Não nada possuo, nem verdades ou
mentiras, construo castelos de areia no
espaço, caço quimeras, monto relâmpagos!
Ah céus! porque continua azul depois
de tudo que viu e ouviu?
Por que permite que os anjos transitem em ti,
que dancem embalados por seu sopro?
São eles tão superiores assim?
Ou é o homem tão insignificante que lhe basta
uma rima, um verso ou mesmo uma palavra, para se iludir?
Roguei aos anjos sua misericórdia, nenhum
sequer me ouviu!
Que fazer agora? Rogar ao demônio?
Chega! Abusastes muito de mim, agora quero libertar-me,
poder ter consolo nos versos que escrevo
e esquecer que já cavalguei com reis e demônios...

9 de set de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - IV PARTE A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Riem os demônios, sim, posso ouví-los,
achas mesmo tú, que perderiam eles um momento
como este, onde um verme torna-se consciente
da vileza que tornou o seu ser? Não, não são eles
assim tão tolos, rolam no chão, histéricos os malvados,
cantam e dançam, acompanhando o espetáculo,
e até apostam num final trágico!
A que ponto pode-se chegar neste universo!
Rasteja o homem no próprio excremento, comunga
com o maldito, entrega-se aos vícios,
caem-lhes as asas, que outroras nos confiaram, e alta é
a queda até o mais profundo inferno,
não mais cavalgo ao lado de heróis por verdes campos,
não mais sinto possuído de amor verdadeiro,
caminho agora depois da queda, por pedregoso caminho,
atirado sou ao chão e espinhos aparam-me sorrindo...

... Mas Deus, onde estão seus anjos, por que
fogem eles de mim? Acaso sou tão horrível neste corpo
empesteado, que nem um olhar sequer mereço?
E este punhal, que fazer dele? Cravá-lo ao peito
seria suficiente? Acabaria com este gesto todo meu
sofrimento, ou seria ele apenas o começo?
Dai-me uma cota de malha de aço, uma espada
e um cavalo, deixem-me lutar ao menos
uma vez sozinho?
Que eu perca ou vença, que mal pode resultar-lhe?
Dai-me essa chance, ao menos uma vez dai-me
essa chance?
Pois estou cansado, quero poder cavar meu túmulo,
e nele dormir, não aguento mais viver acorrentado
preso a desejos que desejaria não desejar!
Dai-me por favor o que peço, e nada mais pedirei!...

2 de set de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - III PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Reuní toda a coragem que possuía,
mas a covardia era maior em centenas de vezes
tremi como que atacado pela peste
e o suor escorria pelo meu rosto misturando-se
com as lágrimas salgadas e vazias
que retratavam fielmente minh'alma!
Vazio també, estava meu coração
vazio de sentimentos nobres, pois que de
medo e vergonha, transbordava o mísero.
Ah! Como seria bom acordar agora e descobrir
ser tudo isso um sonho, um pesadelo!
Mas sei que sonho, é sonhar que agora sonho
estar num sonho, e que acordar é-me impossível,
já que há muito não durmo, há muito não descanso,
e o mais próximo dum sonho que já estive
foi quando a Morte ofereceu-me um brinde
sorriu e partiu só!

Onde andam os anjos com suas espadas divinas?
Por que voam tão longe de mim?
Por que impedem-me de ouvir o bater de suas asas,
sentir o roçar de suas penas na minh'alma?
Não cantam mais os anjos no céu?
E se cantam, por que privam-me de ouví-los?
Fui tão mal assim a ponto de ser esquecido,
não posso será, nem sequer ter um abrigo?
Mereço a lama onde estou?

31 de ago de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - II PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

E cada toque de clarim que agora ouço,
faz-me tremer o corpo e choro de desgosto
Ao saber-me aprisionado por fortes grilhões
que impedem-me os movimentos, as ações;
Faço uso do único método que conheço:
Caio de joelhos neste solo lamacento
vivo para os céus, lamento por mim mesmo,
mas nem sequer uma pena move-se na minha direção,
continuo cativo, sem resgate, nem perdão.
Escravo do destino, dos desejos, da frustração...
Do inferno agora, ouço horríveis vozes
que inflamam o meu ego, dizem-me elas:
"- Eis ai em tuas mãos a liberdade,
ganhastes do nosso mestre esse envenenado punhal
agora ages, fazei o que é certo,
mata o seu carcereiro, degola o rei
e sedes um liberto,
mas se acso queima a tua mão o aço,
sede nobre ao menos uma vez,
crava esse punhal no teu próprio peito
liberta-te desse senhor indigesto
e caminheis pelos Hades junto com teu novo mestre."
Tapo meus ouvidos, fecho meus olhos
e nada consigo a não ser arrancar riso
dos carrascos que agora me cercam!
Que fazer? Para onde virar-me em busca da salvação?
Talves os céus estejam muito afastados,
e os seres alados não me deêm mais atenção.
Restam-me o inferno, na forma dum punhal,
resta-me dilacerar o dilacerado coração!?

30 de ago de 2010

21/01/02 ELEGIAS DA ESCURIDÂO - I PARTE - A QUEDA DE UM CAVALEIRO ANDANTE

Quando no passado depositou na minha frágil mente,
milhares de sonhos decadentes
esquecestes de alertar-me, do perigo costante
que para mim seria o desabrochar de cada
sonho, e o surgir de cada desejo
Insulflou cada um dos meus eus perdidos
contra este ser precariamente protegido
e nem ao menos armas para lutar me destes,
Foi necessário para mim criar montes e montes
de saídas, muitas das quais covardes demais
para um pseudo-cavaleiro andante, que lutava
sem armaduras ou um cavalo possante
e quedava-se cabisbaixo perante seu adversário
clamando aos céus por um raio fulminante,
para que lhe poupasse aquele instante
tirando-lhe a vida imediatamente...

Mas nem os céus, nem os anjos,
nem ao menos no inferno os demônios
lançaram para mim um sorriso, um aceno,
deixaram-me caído, quase que morto
naquele miserável terreno, tentei fugir
e com minhas mãos cansadas de lutar
comecei a cavar minha rasa cova
onde imaginaria poder repousar para sempre;
mas nem isso foi-me permitido
caí prisioneiro nas mãos do inimigo
e escravo tornei-me dos teus e meus vícios.

25 de ago de 2010

FRAGMENTOS DO TEMPO

20/01/02

Muitos comparam o tempo com um livro
ao qual viramos uma página a cada dia,
nada mais irreal, absurdo difícil de aceitar,
pois cabe ao tempo pro homem se acabar
e nunca mais, o que foi hoje, amanhã será.
Enquanto que um livro lê-se hoje o amanhã
e amanhã, o hoje pode ser relido...
... Exige a arte tanto do fiel, como do criador
o máximo que a vida nos permite,
sonhos, dedicação, observação e equilíbrio
é um livro muito delicado e comprido
e que agora ajudamos a ser composto;
mas não serão seus capítulos relidos
pois passou-se o tempo, e o tempo esvaído
não há de ser reconquistado, como se
fossem as simples páginas de um mísero livro
e sim acabar-se-á com a morte do herói,
ou a derrota do perverso inimigo!
São nossas nefastas vidas, exóticos livros
apócrifos, proscritos, pervertidos e ilusórios,
são fragmentos do tempo, que passa incisivo,
derrubando muralhas, alagando desertos
fazendo ecoar sua fúria nos mais
longínquos infernos,
e ele nunca recua, e com seu avanço
avança a nossa ruína,
é nosso corpo apodrecendo numa esquina
e nossa alma num leilão sendo vendida,
O preço?
Dê o que resta na sua bolsa,
suas canetas, seus cadernos e seus livros
uma boa história, ou uma estrondosa mentira!

18 de ago de 2010

SAUDAÇÃO AO DIA

Salve dia, que os bons ventos
tragam em suas asas
a brisa leve do mar!
Salve Dia, que os bons ventos
tragam em suas asas
a tranquilidade tão esperada!
Que a Chuva que cai, não só molhe a Terra,
como também renove o Ar.
Que a Chuva que cai, não só lave minh'alma
como também renove minhas convicções.
Oh Dia! Por Deus nos dado,
ofereço-te rosas vermelhas,
lírios brancos, jasmins perfumados,
aceita essa oferenda oh Dia,
e segue para a Noite que te afugenta.
Leva contigo o Sol, o Céu azul,
o cantar dos pássaros, a brisa suave vinda do Mar,
a Chuva purificante voltada à Terra,
e trazes a Lua na Noite a brilhar,
os grilos, as corujas, as espécies de vida noturna,
o Vento mais forte, a Chuva mais grossa,
o sonho tranquilo e o sono revigorante.
traz também as Estrelas e os Astros,
oh Dia! traz tudo atrás de tí.
Pois amanhã há de voltar
e nova oferenda dar-te-ei para vos saudar!
Salve Dia, salve!
Muitos dela se escondem,
mesmo sendo impossivel dela esconder,
procuram refugio em ermidas distantes,
mas acabam pegos por Ela que tudo ve.

Os olhos se esbugalham,
suas maos tremem, sua boca seca.
Urina e fezes descem por suas pernas,
e assim a vida lhe foge...

Caem atonitos perante a Morte
que surda e muda,nada ve, e por ninguem chora...
Riquezas, beleza, possiçao social,
de nada adianta; a ceifadeira corta...

Inerte o corpo aduba a terra,
torna-se um imenso pasto para seres vorazes,
que mastigam contentes suas viceras,
sua carne podre, sua podre carne...
Quem somos nos neste vasto universo,
acaso somos nos seus habitantes passageiros,
ou seus moradores eternos;
quem somos nos neste vasto universo?

Hoje sois vos reis e rainhas
esbanjando ouro, sedas e fama,
amanha amanhece joaninha
vivendo uma existencia numa folha de grama!

Quem somos nos neste vasto universo,
donos, usurpadores, eternos moradores?
Na certa nao somos senhores
e sim miseros devedores...

9 de ago de 2010

PASSAGEIRO

14/01/02

Quão desagradável tornou-se o mundo!
E não mais o glorifico nem o lamento
muito tempo levei tentando entendê-lo
mas vê-se que foi em vão o meu tempo

Causa-me medo agora suas voltas
que giram, e giram no mesmo lugar
quem me dera a honra de poder pará-lo
e descansar tranquilo ao invés de rodar

Fez-me ele uma criatura ridícula
uma máquina sobre pernas incapaz de libertar-se
um escravo dos desejos, um amante da sorte

Que durante o dia caminha com o desprezo
a tarde, bebe com a saudade
e a noite deita-se com a Morte!

A PRIMEIRA VISTA

13/01/02

Canto as glórias e desencantos da vida
e nada vejo de belo no rudimentar
e volátil metamorfozear da lagarta em borboleta
de que adianta insulflar para alma
insustentáveis problemas em forma de desejos
se os que mais agrada-me não são seus cabelos
e sim o crânio que ele disfarça
Nunca apreciei seus belos olhos azuis
nem os cantarei em versos
julgam-me mau, alguns, ao comparar-me
com entes perversos, que perambulam pelos sonhos
mas já lhe disse: não compartilho como os outros
do amor pelo vosso olho,
porém não posso deixar de sorrir
quando pela minha mente passa por um só momento
a visão de ver-te com os olhos ramelentos
encobertos por densa catarata, gotejando de sofrimento
Digo-vos! Não é essa vida imprevisível
e por mais que sejamos realistas
fornece-nos ela sempre uma nova surpresa
um cancro, um câncer, uma corda no pescoço,
um cálice de amargo veneno
mais uma pista para nos corrigir-mos
e voltar-mos nossos olhos (ainda sãos)
para algo digno de realmente vermos!

ERROS

08/01/02

Nota-se que muito poucos tentaram
e poucos dos que muito tentaram, erraram
Errar por ter coragem, deixa de ser erro
mas esperar o momento certo sentado num
canto escondido não passa de oportunismo
mas pode vir a ser também o princípio
do declínio, a ladeira que nos arrasta aos
perímetros nefastos do inferno.
Deixar que o tempo passe sem ao menos
esforçar-se para ser digno da
humanidade que possui é o mesmo que
tomar um cálice de veneno, é negar-se
a cometer erros, tornando-se acertos,
aberturas para novos tempos
o princípio, o começo...

MY WAY

03/01/02

Ter um vazio dentro do peito
um espaço em branco, onde poder-se-ia
cultivar amor, mas mal usado foi
que tornou-se o refúgio preferido pela dor

Ter todas as chances ao seu dispor
possibilidades verdadeiras para mudar
reescrever a sua história, ser o herói não o vilão
e vacilar a ponto de perder-se num dia de sol

Saber-se possuidor de boas qualidades
ter um nobre coração, ser apto a ajudar,
e deixar-se levar por um rio de lama
à região mais obscura da ignorância.

Ver-se rodeado de amigos verdadeiros
e percorrer o caminho contrário
afastar-se do certo, aproximar-se do errado
afundar-se no escremento e quedar-se satisfeito

Temer a felicidade, fugir da razão,
atormentar-se com a verdade
refugiar-se na solidão
vagar por horas dentro de si mesmo
e encontrar somente escuridão
ter tudo e não poder nada
andar como um bêbado estando sóbrio
sofrer dia após dia e sorrir
Ser infeliz e conformar-se
este será o meu triste fim?

COMTEMPLAÇÃO

02/12/01

Sei que as palavras são prata
e o silêncio tem o valor do ouro
deixe-me no entanto presentear-te
com meu silêncio e esta flor
e se não for pedir-te demais
retribua-me apenas com um sorriso
para que este meu coração partido
possa descansar tranquilo, e no meu sono
conturbado quase sempre
queira eu sonhar com anjos
e o calor do teu olhar
pois para um poeta é mais caro
o carinho de um gesto
que a ilusão de comtemplar!

PIGMALIÃO

30/11/01

Quem me dera ser exímio escultor
e criar do barro no qual piso
um ser deveras divino a que eu possa
amar, acariciando-lhe o corpo
e sem receio nenhum nele mergulhar.

Não sou como Pigmalião, um hábil artesão
o que faço são traduzir vozes em letras
Apesar de não ser essa arte absoleta
definho neste mundo na solidão

Que vale para mim escrever Galatéia
já que as palavras criam vida só através do som
de que adianta rimar ou prosar
se tudo escoa no vácuo que é meu mundo.

Embora eu seja mortal e pretensioso
deixo aqui meu pedido de socorro a Vênus ou Cupido
concedam para mim um único desejo
o de ser amado, ou amar algo ao menos.

AOS DEUSES!

24/11/01

Eis que rebelo-me!
Não andarei de mãos dadas com cupido
pelos campo elíseos, por ser a imortalidade
semente de grandes infortúnios
mas caminharei livremente com tanatos
nos domínios obscuros de Plutão
de que vale ser eterno como um Deus
e viver tal qual Prometeu, acorrentado no Cáucaso?
A Justiça e a Inocência abandonaram-nos na terra
e os Deuses, deixaram de nos sorrir
por que então fugir rumo ao desconhecido
Buscando abrigo em sonhos e visagens
se a perfeição da viagem está no balanço
do barco de Caronte?
Talvez o homem se desaponte
e de sede morra antes de ver-se saciado
mas és tu o homem um previlegiado
e como tal dominas o indominável!

QUO VADIS?

20/11/01

Exalando um odor fétido de enxofre e danação
Baila a minha frente esse ser fisforme prepotente
que aos homens guia as rédeas soltas
já que a vida além de dura, para prazer é pouca

Para muitos sorri como um perfeito cavalheiro
para outros acena como prostituta
outros não recebem sorrisos ou acenos convidativos
mais sim apaixonado beijo ritualístico

Carrega contigo os anos que rastejam sem sentido
os doces anos da minha juventude sonhadora
que caminha a passos lentos e arrastados ao desconhecido

Como um câncer corrói o meu ego pervertido
arrebata-me com uma febre abrasadora
acaba-se - fim da linha - volto a letargia do tempo...

FILHO BASTARDO

02/11/01

É este meu corpo um vasto universo
onde reinos microscópicos se levantam
no meu sangue habitam não sei quantos
nos meus ossos número igual de origens diversos

Mesmo morto é este corpo um paraíso fértil
onde vermes proliferam aos milhares
são filhos bastardos dos corpos que se desfazem
progênie hedionda de um pai estéril

Assim carregam nossos universos em caixões
cárceres lúgubres aptos a expansões
gerando vida apesar de morto
No pasto fértil a qual chamamos corpo!

ELEGIA

01/11/01

Sentado sobre uma rocha, em silêncio absoluto
está o homem resoluto, tentando entender
quiça pudesse ao menos conceber, deixar a divindade
habitar alguns segundos seu mísero ser
revolver toda a poeira que embaça o seu coração
comtemplar por algum tempo a face de Deus
elevar-se dentro de si mesmo, livre do ego.
Arbítrio e razão, chamar pelos anjos e ter
suas preces atentidas, refugiar-se sob essas
asas divinas, deixar de ter medo
ter sua fé renovada e forte como um rochedo
cair de joelhos sobre a terra, levantar as mãos
para o céu, elevar suas orações ao Supremo
ter seu corpo purificado e deificado
Fazer nele um templo que nunca há de ser profanado
receber as misérias e alegrias da vida
como uma benção, sorrir para todos como sorri
para si mesmo, caminhar de mãos dadas com a morte
sabendo que é ela seu passaporte
para o reino eterno do Ser Supremo...
Ser feliz e não sofrer por isso!

HALLOWEN

31/10/01

Hoje os mortos-livres vivem
Fora de suas covas-rasas, calcinadas
cantam e dançam, pulam e riem
o dia dos mortos avança, é tarde, o anjo dorme...

Os vivos-mortos de sono famélico
capengam sobre cruzes-casas
onde habitam-dormem, antepassados
que sofreram bons-bocados
sendo dos vermes antepastos

Nada de bom restou do ontem
ossos brancos-alvos, dentes podres-pobres
riso-rico, cacos-dourados
vasos-vasculares, órbitas perdidas
rótulas-rotas, mentecárpios quebrados
fêmures cancerados, pés inchados
vermes-gordos, reis-frustrados...

LIBERTAS, QUE SERÁ TAMEM!

30/10/01

Vê? Ninguém olha mais o pôr-do-sol
nem sonha com um negro corcel
que cavalga à noite sob o escuro céu
salpicado pelo orvalho que cai sereno

Não pode mais o homem iludido
contemplar estrelas e constelações
sentir o perfume das damas-da-noite
ouvir os grilos, ver os pirilampos

Existe o medo de tudo que é mistério
teme o homem a Deus, aos anjos e diabos
tranca-se dentro do seu pequeno cérebro mentecapto
e obriga-se a viver sem luz, sem razão

Arde no seu peito o desejo de ver-se livre
mas grandes e fortes são as algemas que os prendem
sonham em voar, mais andar, mal conseguem
acham que são amados, mas nem amar sabem

Vê? Sente você o mesmo que eu?
Sabe-me dizer se o homem é forte o bastante
para arrebentar os elos que o prendem
arrancar a mordaça e a venda
atirar-se sem medo aos braços da vida
e repousar sereno no colo da morte?!

UM BEIJO

16/10/01

Um beijo seria o suficiente no passado
para reestruturar meu ego arrasado,
tornar-me-ia feliz com um simples toque de lábios
que seria recebido como água recebe um caminhante no deserto
Minh'alma arrebentaria de contentamento
pulsaria tão forte o coração dentro do meu peito
que certamente não o suportaria
Êxtase. essa é a palvra que eu usaria
mas negaram-me esse remédio
e tudo que consegui foram punhaladas.
A caixa torácica reduziu-se a frangalhos
e o coração que nela batia, de pedra se fez
para nunca mais sentir novamente alegria.
Negro agora são meus dias
meus olhos acostumados ao escuro
sofrem toda vez que novamente vislumbro
um sorriso cândido de mulher...

DIÁLOGO DE "A" A "Z"

15/10/01

-Água Pai, estou com sede
-Bebes meu filho na fonte adiante
-Conta-me Pai como a achaste
-Digo-lhe filho outra hora
-Esconde-me Pai, a verdade, por que?
-Finjo esconder de tí, mas não o posso
-Gracejas agora meu pai de teu filho?
-Hoje sim, mas amnhã, quem sabe...
-Irás o senhor negar-me também o amanhã?
-Juro-te, nada disso farei.
-Lamento se te desaponto, isso não queria.
-Música para meus ouvidos são suas palvras
-Nega-me no entanto ainda a verdade
-Onde a deixei? Pode-me tu dizer?
-Pai! Olha-me e tenha piedade
-Queres tu, muito por pouco
-Rides meu pai, sou mesmo um louco
-Santo és tú, louco sou eu
-Talvez! Pois nada mais o sei
-Uni-vos a mim então e te revelarei
-Vejo que queres tudo de mim!?
-Xiii, cala-te e entrega-se
-Zarpemos então pai, pois a fonte secou...

A PASSAGEM

15/10/01

Cego diante ao pecado, espero.
Que dias haverão onde chorar será preciso
mas também serás impossível ao homem
que rastejante busca por migalhas bolorentas
do pão que o diabo num dia de festa amassou
As lágrimas hão de secar em teus olhos
que em chamas arderão sem misericórdia,
só, somente pó cobrir-te-á, e o ódio
que sempre ocupaste contra o próxmo rebelar-se-á
voltando-se contra quem sempre o usou!
Cego caminharás, por caminhos novos, porém antigos.
Lugares há muito esquecidos, abrirão seus portões
para sua passagem
tarde será para lamentos, ou súplicas
e a cada palmo que caminhes
subirão dos infernos, horrores e risos
serão eles preludios, avisos
de que o pior ainda não o encontrou!
Desejarás então chorar,
mas não o saberás, pois nunca em vida
por piedade, amor ou alegria chorou...

HOJE, PARECE-ME UM BELO DIA...

15/10/01

Hoje, parece-me um belo dia
para marcar um encontro com a morte
e faltar.
Talvez ela, num instante de fúria
reúna todas as suas forças, e num impulso
fulminate, alcance a todos em sua volta
devido a frustração de não ter-me
Hoje, parece um belo dia para não se viver
esconder-se dentro dum casulo
usar a hipocrisia e a intolerância como escudo
e castigar o mundo.
E quem sabe se num momento de euforia
toda minha lucidez não se manifestaria
fazendo recuar a escuridão.
Hoje parece um belo dia para sonhar
deitar-se com a morte sobre lençóis de cetim
deixar a vida esvair-se aos poucos com seus
beijos, sugar seus seios, sonhos e mais sonhos
e depois acordar, refeito, rejuvenescido,
esquecido dos m edos e desejos passados
ser seu amante incansável e viver para ver
outro belo dia, para marcar um encontro
com a morte, viajar entre os mundos,
sentir-se eterno,
tenho-te comigo oh morte!
A consorte inseparável!
Hoje é um belo dia...
11/10/01

Desfez-se em pedaços o meu coração
e com eles forrei um pedaço do chão, onde ajoelhei-me
O sangue que vertia das feridas que ali formaram-se
regou os restos ressequidos do meu coração.
Tentei juntá-las novamente, mas faltavam
partes importantes, eo sangue que regou
de tão amargo que era, transformou
a nobreza em fera, que com as unhas
encravadas e os dentes arreganhados,
despedaçam do peito o que restou,
tornando árido o que um dia foi fértil...

ADONAI!!! (Império!!!)

10/10/01

... Em verdade todos nós podemos ser
antenas receptoras da mensagem Suprema
Mas nem todos estamos posicionados
adequadamente de forma a receber
fiel transmissão.
E muitas vezes o que imaginamos ser inspiração, nada mais são que
frases distorcidas, reflexos pervertidos
da poesia Suprema.
Colocamo-nos acima de Deus pra
não dizer também dos homens
Achamo-nos criadores de algo nobre
dgnos de sermos lidos,
mas não passamos de usurpadores
antenas desconectadas desfigurando o Divino.
Como coletores de fezes, percorremos
nossas mentes, buscando belas palavras,
finos raciocínios.
Mas quanto mais nos adentramos esse inferno
menos descobrimos e mais nos enredamos...

JEH (Sabedoria)

10/10/01

O gamo saltou sobre o arbusto
e o caçador atento trespaçou-lhe o coração.
Ferido mortalmente o gamo segurou seu pranto
enquanto sorridente o caçador o alcançou.
Seus olhos se encontraram por um curto espaço de tempo,
tempo este que fo o suficiente para
ver-se o gamo nos olhos do caçador,
sentir pena de si próprio e morrer
foi tempo suficiente para ver o caçador
uma vida se esvaindo, e entender que
com um simples retesar do arco,
acabou-se o gamo, que nascerá livre,
ele sorriu...

ARCHONTE (Dignidade)

10/10/01

Archonte (Dignidade)

Existem  horas num dia, que equivalem à morte,
horas em que nos escurece as vistas,
falta-nos o ar que respiramos
e como se abandonasse o corpo, a alma sacode-se!

Acostuma-te homem miserável,
a ela que te espera, nesta terra árida que palmilhas
pois ser eterno a ti não combina
e ser intocável a ti não o permitas Deus!

Cede cada palmo com muito custo
e de todas que cedestes, nada te custa mais que a vida
chora, implora, esconde-se e nada consegue.

Morres de morte bem morrida,
sofres de dores, visagem e frio
soluça e comtempla, como criança bicuda
que das mãos o doce tiraram,
sem explicar-lhe o motivo.
O rosto triste da vida que se extingue,
e o sorriso vencedor da morte que o ceifa...

ILDA - BAOTH, A QUEDA

 28/09/01

O bater das asas... Vôo alto,
o vento beija minhas faces,
o sol aquece o meu corpo.
Do alto vejo a insignificância do homem
que sonha com os astros
que observa as estrelas
e inveja os anjos; sorria...
Plaino nos céus, desço em vôo rasante até o mar,
por um segundo sequer temo a queda
pois reais são minhas asas,
não de cera como as de Ícaro,
mas por mais reais que elas sejam
eternas sei que não são
com um raio pode-se facilmente amputá-las
e com uma asa quebrada
caíra por terra quem nos céus voava...

ELOHIM (Severidade)

27/09/01

Cada degrau um obstáculo
um desafio para ser superado
ter refletido no rosto um sorriso zombeteiro
de quem conseguiu alcançar o topo
e descobriu que descer seria mais austéro...
Numa linha reta perco a visão
não vislumbro fim nem começo
tenho arqueada as sombrancelhas
devido a incerteza de chegar seguro
para descobrir que na volta será mais duro...

Na gaveta guardo meu passado
junto de tralhas, há muito supérfluas
Nada mais resta-me que a solidão
a espera longa. de quem espreita-me nas sombras
cantarolando uma canção...
e num livro, registro meus medos
junto com sentimentos há muito esquecidos
nada mais tenho que rugas e desejos
cabelos brancos, um rosto pálido
uma alma cansada, um coração vazio...
27/09/01

Fria noite
Escura onda
Verdes campos
Vagas lembranças
Açoita-me o vento, numa noite fria,
em que uma onda escura
varreu dos verdes campos
as lembranças vagas

PAX

27/09/01

Negros foram os dias passados
tristes são os segundos presentes
incertas as horas vindouras
negras noites, sob chuva tropical
tristes dias de um azul enervante
incerta tarde de frio cortante
negro rio atravessei a nado
tristes campos andei a esmo
incerta floresta penetrei sem medo
Dias negros, incertos e tristes
Noites frias, chuvosas, enervantes
campos, florestas, rios caudalosos
passos vagos
coração fraco
medo, morte
renascer...
necessito sim é de silêncio...

EPILEPSIA

27/09/01

Quando a noite falta-me ar
e acordo suado, assustado com os olhos esbugalhados
vejo dançar a minha frente
a serpente luciferiana da morte agonizante
e a luz que some de repente
congestiona minha mente, que alarma-se
pensando estar próximo o fim
Os espasmos aliviam-se e o ar volta a encher-me os pulmões,
Qued-me então calado no meu leito
que não passa dum colchão no chão
e relembro o quão perto estive dela
o quão bela era sua dança
e o quanto temi de dançar com ela...

MEDO

26/09/01

Um fino fio de sangue brotou em meu peito
tal qual o azeite, irá temperar, porém tempera sofrimento
um sorriso solitário surge no meu rosto
cravejado de dor, desespero, ilusões.
E minhas lágrimas são amargas, assim como féu...
Não existem semelhanças entre meus eus,
o que existem são sonhos e solidão
cada tentativa de mudança é um pesadelo que começa
então acho sempre mais fácil recuar
porque prosseguir, se o que desejo mesmo não há de vir?
Pia agora uma coruja, como soa agourento o seu pio
enerva-me sua presença, assim como o corvo enervou Poe
no seu girar de pescoço sinto-a me espreitar
como fosse a morte que me espreitasse
talvez seja apenas loucura, talvez não,
mas o fato é que me é assustadora a idéiade deixar de ser.

Mesmo que seja por pouco tempo.
Hoje acordei mais cedo, dormirei mais tarde
e talvez acorde amanhã, como saberei?
São essas incertezasque me consomem, como vermes
corroem minhas estruturas, semeiam elas amarguras
acabam com o que me restou de prazer
Agora a hora avança, o relógio toca seu requiem maldito
talvez a morte me alcance no próximo minuto e nem
me dê chances para terminar meu escrito...
Não foi desta vez, mais uma hora será, resta-me apenas
aguardar, observando a coruja que me observa
atrasando o relógio que sempre me supera
e temperando minha existência com o sal amargo da boemia...

KADMON (Fundação)

09/01/01

Somente seus olhos nada pervertem
simplesmente refletem, tudo como
haveria de ser
Dos seus lábios emanam nectares
que suavizam minha parca existência
e na sua ausência o tempo deixa de ser

O ar que respira, pois demais é doce
que impossível me é dele compartilhar
Sem deixar-me embriagado
e o sopro da vida, tudo que há de sagrado
na vida, rejuvenesce, renasce de ti
com um simples acenar...

AEON (Emanação)

15/09/01

Sois o sol
a luz, as trevas
Sois a água
o ar, as calamidades
Ages como rei
como servo, como astro
Ages como juiz
como mendigo, como homem
Vê as estrelas
o fogo, as tagíades
Vê os mortos
os corvos, Andrômeda
Sentes o vento no rosto
as lágrimas no olho, o sorriso nos lábios
Sentes o fétido hálito da morte
um frio na espinha, um nó na garganta
Temes como um rato
como os deuses, como um homem,
pois somente isso és tu
que age, vê, sente, teme e morre...

SHEOL!... (Inferno!...)

13/09/01

O grito estrangulado dos enforcados
os pés girando no vazio
marcando o compasso num ritmo macabro
seu sorriso arroxeado, sua lingua de fora
um adeus que sempre demora
uma fragmentação da vida que desfaz-se
num simples esticar de cordas e nada mais
a escada, o carrasco, o cadafalso
um tango, uma valsa, um xaxado
nada de passos complicados nesta passagem
nada de aplausos ao fim do ato
somente a corda a se apertar no pescoço
e os pés flutuando no espaço, solto
encontrando na morte, não um fim trágico
e sim um espetáculo, cai o pano...

SABAOTH? (Glória?)

10/09/01

Olhos esbugalhados mirando o vazio
corpo inerte esparramado na sargeta
cabeça estourada repousando no meio-fio
restos dispensáveis de uma vida abjeta

Transeuntes o cobrem com um velho jornal
cães e ratos farejam seu sangue coagulado
alguns esnobes cospem, nesses restos indesejados
enquanto outros benzem-se, para espantar o mal.

nada se fez eterno, neste mundo miserável
nem o céu e as estrelas, os rios e os mares
por que sofre então o homem, que busca incansável

Por sonhos de riquezas, glórias seculares,
Se tudo que nos resta, são cal e cova,
e numa esquina qualquer ter estourada a cabeça?!

YAVEH (Prudência)

07/09/01

Vou acender uma vela e te guiarei
pois são escuras as cavernas que terás pela frente
Não tema as sombras que dançarão à luz que brilha
Nem se iluda ao achar segura a escuridão
Lembre-se que nem sempre lhe foi fácil o caminho
e que toda rosa protege-se com espinhos.
A cada segundo uma armadilha se apresenta
e um pequeno descuido poderá levar-te a sofrer eternamente.
Confie apenas na luz que ilumina teu caminho
e aceite somente o que de fato precisas
Pois é astuto o demônio que o espreita
e fatal pra alma a cobiça...

PLEROMA (Plenitude)

07/09/01

Voam alto nossos egos
já as mentes adentram o universo,
almas fundem-se no eterno
enquanto nossos corpos alimentam vermes

É difícil manter a mente alerta
acostumada como está a nada fazer
já a alma que não descansa nem se acaba
permanece prisioneira por vidas afora.

Se acaso rastejasse sob seus pés, o teu ego
e tua mente lhe reverenciasse,
seria teu coração puro o suficiente

Para deixar-se comover-se, unindo-os num todo
e resgatando sua alma do lodo
transformando-se num ser auto-controlado?

EPÍFITAS

04/09/01

Nada de mim desejas, eu sei,
sou para ti apenas um abrigo
sois tu para mim algo indefinido
algo sem peso, sem sentido,
uma fração do tempo perdida
onde tudo parou e se esqueceu;
uma parte da vida entorpecida
travestida de amor, suor e lágrimas
uma parte rústica e apática
que rejeito e de súbito afasto...
O hospedeiro perfeito para ti, sei que sou
pois carrego-te por onde vou
sem nunca sentir-me esgotado
já que não sei como usá-la
posso pois abrigá-la
sem deixar-me corromper;
se do amor nunca experimentei
foi porque de mim, tu sempre debochou...

CES'T LA VIE!

29/08/01

Vasto mundo debilitado
onde nem um verme passa despercebido,
o que há com esses seres corrompidos
que habitam seus abismos?

Por que sofrem os malditos
que buscam saciar seus sentidos
no excremento e na lama
que proliferam em seus domínios?

Diga-me como parar essa insanidade
como redirecionar a humanidade
para um caminho mais tranquilo

onde possamos comtemplar a verdade
triunfar sobre a incerteza e o ódio
transformar-nos no que realmente somos, e sorrir?

LACUNAS

22/08/01

Nada vejo agora...
nada sinto, nada senti...
Como poderei enxergar,
como poderei reagir,
se uma lacuna, um vazio
se forma dentro de mim?

Que pensar agora...
se nada viví, nem viverei...
Como deveria existir,
acaso seria-me permitido sorrir
se uma lacuna, um espaço desocupado
mantém-me isolado dentro de mim?

Que fazer agora...
Se nada fiz, ou hei de fazer,
como seria amar
como poderia morrer,
se uma lacuna completasse-se
adicionando-se Morte.
Seria eu assim tão forte
a ponto de me auto prover?

O SONHO

20/08/01

Vagava com meu corpo sonolento
meio vazio por dentro,
não se de mente ou de alma
quando, deparei-me com uma parede
que as alturas subia
mas a lugar nenhum se chegava

Faltou-me olhos para comtemplá-la
Faltou-me asas para subí-la
deixei-me cair a seus pés...
impotente perante semelhante barreira,
chorei como há muito não chorava,
e recordei sonhos que há tempos sonhara:

Vagava eu com meu ego alterado
acreditando ser intocável,
quando deparei com uma caverna
que levou-me ao reino de caronte
onde almas embarcam a todos instantes
para o reino do medo eterno.

Paralizado estava meu cérebro
com as tétricas cenas que na minha
presença se desenrolavam.
Corpos decepados e impalados
corriam rumo ao fogo eterno
enquanto o demônio sem cerimônia
os introduzia num vale desolado
onde corpos decompostos caminhavam cabisbaixos.

Gritei, como há muito não gritava
Chorei, supliquei, tentava correr e não conseguia
Enquanto o diabo, com um sorriso de zombaria
me acenava dizendo, ser agora minha vez
Então acordei e descobri que havia morrido...
09/08/01
Por detrás da janela alguém observa
os que sob ela sonham acordados
sabe o observador, sobre os perigos de cada passo
sobre a frustração a cada desejo
sobre o interminável fluxo de nascimenros

Por trás da janela acompanha o tempo
que passa imparcial, indiferente a todos
observa por trás da janela o observador
que calado comtempla, o fluxo interminável
de almas que no inferno adentram

Por trás da janela chora solitário
solidão esta que sempre procurou
rompe-se em lágrimas em seu refúgio abafado,
observando sempre o que nunca experimentou...

Por detrás da janela, esconde-se um poeta
por frestas observa o que sob ela passam
sob ela posam, sob ela choram, sob ela morrem
sob ela partem

Por trás da janela não existe o tempo
não existe a morte, nem dor ou sofrimento.
Por trás da janela o tempo parou
e o observador atento, a tempos do sonho despertou
07/08/01
Sinto um misto de orgulho e vergonha
um misto de medo e pena
uma mescla de amor e ódio
uma punhalada pelas costas
um gosto amargo, um suor carregado
um grito pelo sangue sufocado
e na testa carrego, o selo
o selo sagrado porém amaldiçoado
a marca do perdedor!