9 de ago de 2010

EPÍFITAS

04/09/01

Nada de mim desejas, eu sei,
sou para ti apenas um abrigo
sois tu para mim algo indefinido
algo sem peso, sem sentido,
uma fração do tempo perdida
onde tudo parou e se esqueceu;
uma parte da vida entorpecida
travestida de amor, suor e lágrimas
uma parte rústica e apática
que rejeito e de súbito afasto...
O hospedeiro perfeito para ti, sei que sou
pois carrego-te por onde vou
sem nunca sentir-me esgotado
já que não sei como usá-la
posso pois abrigá-la
sem deixar-me corromper;
se do amor nunca experimentei
foi porque de mim, tu sempre debochou...

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